A reação de minha familia, em relação a doença da minha mãe, foi indeferente, ninguém perguntou como seria a evolução da doença e o que era Alzheimer. Quem seria responsavel legalmente por ela ou se alguém iria ajudar financeiramente. Eu automaticamente fiz tudo, contratei um advogado para ter a tutela e ser responsável legalmente sobre ela.
Ficamos um ano com o neurologista. Como não estávamos acertando muito, uma amiga me indicou o seu médico, que é geriatra, e minha mãe passou a ser a sua paciente. Ele me explicou sobre a doença de Alzheimer. Me deu livros, panfletos e me falou sobre a ABRAz – Associação Brasileira de Alzheimer. No começo, foi muito assustador, mudei com minha mãe para outro bairro. Onde eu tinha uma casa alugada e começou todo o processo da doença.Era só eu e meu marido para olhá-la. Nós dois não tinhamos vida própria. Tudo que tinhamos que resolver, na cidade, na parte da manhã, era com ele; na parte da tarde, era eu, pois era importante ter sempre um na casa por conta da minha mãe.
Eu não tinha ajudante, porque o dinheiro não dava para pagar. Os filhos homens não a visitaram, os netos não visitaram e nem telefonaram, ninguém sabia como ela estava, se estava sendo bem tratada ou não.O meu marido passou a dormir no quarto com minha mãe. Para vigiá-la e para virá-la de madrugada na cama, para não dar feridas no corpo. Eu dormia sozinha no nosso quarto, porque no outro dia, além dos cuidados com ela, eu tinha que lavar, passar, cozinhar.
Meu marido deu para minha mãe o amor que faltou nos filhos. Agora vôces podem estar perguntando: ela foi uma mãe ruim? Ela maltratou os filhos? Não, ela ajudou muito, principalmente os filhos homens. E como ajudou! Quando ela mais precisou da presença deles, eles viraram as costas. Vocês conhecem a lei do retorno: coitados, já estão pagando sem saber!