As dúvidas de todos nós

Recebi de uma internauta , a Sra. Goretti Perrucho, um comentário a respeito do meu último artigo publicado sob o título “Na cama com Alzheimer” que achei muito interessante quanto ao interesse que demonstrou sobre as empresas de ‘home care’. Enquanto redigia uma resposta, pensei em publicar as informações que tenho adquirido como usuária desses serviços, uma vez que podem ser úteis para outros internautas.

Olá Goretti!
Obrigada por sua visita ao site e pelas palavras carinhosas sobre o artigo que escrevi.

O objetivo é esse mesmo: trocar informações, buscar respostas, falar de nossas experiências e assim encontrar novas maneiras de ajudar nossos entes queridos a ter mais conforto nessa árdua batalha de nossa luta diária.

Não sei lhe dizer se nessa sua linda cidade de Itabuna-BA, existe empresas de ‘home-care’. Aqui em Salvador, nos últimos sete anos elas têm proliferado. Conforme citei no artigo, a primeira vez que ouvi falar sobre este tipo de serviço foi no ano de 2003. Papai, após dois meses de internamento por complicações respiratórias, estava recebendo alta do hospital. O médico responsável por ele me disse que faria um relatório dirigido ao Plano de Saúde atestando a necessidade de que ele fosse assistido em domicílio por uma dessas empresas; ou seja, o serviço social do hospital encaminharia para o setor de assistência social do Plano, a proposta de internamento domiciliar conforme laudo médico. Não conseguimos aprovação e, como sempre digo brincando para os médicos, meu querido e saudoso pai teve que se contentar com a “home-Gal”: eu mesma.

Em junho do ano passado, enquanto mamãe estava na UTI, voltei a ouvir sobre esse tipo de serviço ao conversar com familiares de outras pessoas também ali internadas. Soube então que há várias empresas formadas por médicos, enfermeiros, equipadas com ambulâncias/UTI prestando este tipo de serviço domiciliar até mesmo por contrato particular. É também fato que nem todos os Planos aprovam bancar esses serviços, mas há muitas famílias que, ao ter o pedido negado, buscam a Promotoria Pública e obtêm liminares favoráveis à concessão dos serviços, principalmente em respeito à Lei que regulamenta o Estatuto do Idoso. Conheci uma família cujo idoso em completa dependência e acamado por questões cardíacas, havia dois anos estava sendo beneficiada por uma dessas liminares.

Bem Goretti, a primeira coisa que vocês precisam fazer é verificar se aí na sua cidade há empresas desse tipo. Creio que o médico de sua mãe pode lhe informar sobre isso. Caso haja, é preciso que o médico responsável ou o hospital em que esteja internada encaminhe ao Plano de Saúde da sua mãe, um relatório sobre as condições clínicas dela atestando a necessidade de atendimento especializado em domicílio. Caso o Plano aceite financiar o internamento domiciliar, ele mesmo envia um médico auditor para uma avaliação e faz uma cotação de preços entre as empresas disponíveis no mercado local, fechando contrato com aquela que for escolhida.

Importante saber que o Plano de Saúde contratará a empresa de home care para fornecer o tratamento de acordo com o relatório apresentado pelo médico que especifica as necessidades reais do paciente. Dessa forma, pode ser que determinado paciente só precise de enfermeiros especializados em curativos para lesões graves, ou que precise de 2 a 3 sessões diárias de fisioterapia e assim por diante. Como vê, é muito importante que ela esteja sendo acompanhada por um médico para orientar as modalidades do tratamento e esclarecer suas dúvidas.

Sei que nem sempre encontramos os recursos terapêuticos necessários para o conforto e alívio do sofrimento causado pela doença e é aí que precisamos também usar a nossa criatividade. Eu, por exemplo, compro em camelô sutiãs de silicone e faço rolinhos para mamãe segurar protegendo dessa forma as palmas das mãos, evitando assim que a forte pressão dos dedos provoque ferimentos. Tais rolinhos podem também ser confeccionados com espuma dos colchões casca de ovo envolvidos por uma meia comum de algodão. Utilizo também o sutiã de silicone para proteger os calcanhares que geralmente sofrem com o atrito na cama correndo o risco de abrir feridas. Até aqui tem dado certo e tanto enfermeiros como fisioterapeutas já me disseram que levaram a idéia para outros pacientes idosos.
Por outro lado, tem sido importantíssimo prosseguir com as duas sessões diárias de fisioterapia. Sei que o tônus muscular perdido não será recuperado, que as contrações continuarão progredindo, mas os exercícios fisioterapêuticos são fundamentais para aliviar a tensão e promover uma margem maior de proteção contra inflamações indesejáveis nas articulações. No caso de pacientes acamados tanto a fisioterapia respiratória como a motora são imprescindíveis para manutenção de uma melhor qualidade de vida.

Bem, Goretti, espero ter contribuído com informações importantes. As suas dúvidas são também minhas e de todos nós que dedicamos nosso tempo para cuidar dos nossos pais, avós, tios, enfim dos nossos entes queridos. Só não tenha dúvida de uma coisa: a única forma de ajudá-los é buscando recursos, informando-se com médicos, trocando experiências e expondo nossas dificuldades.

Um grande abraço para você e todos aqueles que cuidam de seus familiares idosos. Que Deus abençoe e dê forças a todos nós em nossa luta diária. Para sua mãe envio o meu carinho e o meu beijo especial.

 

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