Todos os anos, em todo o mundo, morrem 1.2 milhão de pessoas por causa da violência no trânsito. Pelo menos, 40 milhões ficam feridos. O Brasil é um dos campeões destas estatísticas, com 37 mil mortes no ano de 2007! A terceira idade está entre as faixas etárias mais acometidas por estes números. E é neste contexto, que fica incluído o motorista idoso. Quando há um acidente de trânsito mais grave, o idoso é sempre uma das maiores vítimas, as que sofrem as piores lesões.
Algumas medidas funcionais devem ser avaliadas pelos profissionais de saúde, incluído o geriatra, para saber das condições do idoso, enquanto motorista. Veja os itens abaixo:
• A visão do idoso
• A audição do idoso
• O tempo de reação que se tem, quando fatos inesperados ocorrem no trênsito
• A atenção do idoso no trânsito
• A capacidade de julgar determinadas situações no trânsito
• A flexibilidade das articulações e a força muscular do idoso
• As habilidades de percepção do espaço onde trafega do idoso (conseguem ter uma boa visão do carro e da rua, evitam passar raspando em outros automóveis e locais de estacionamento, por exemplo)
Os profissionais de saúde, principalmente o geriatra e o médico de trânsito, têm a obrigação de consultar os idosos motoristas que o procuram e avaliar suas condições de dirigir com segurança um carro. Devem averiguar o modelo de carro e sua facilidade de dirigir; devem ver que tipos de trajetos são feitos cotidianamente, observando a facilidade de dirigir em vias públicas; mostrar aos idosos a imprudência de usar telefones celulares; não beber antes de dirigir e respeitar os limites de velocidade impostos nas ruas e rodovias.
Um dado preocupante é o idoso que faz uso de medicamentos que prejudicam sua capacidade de dirigir. Muitas vezes, este dado passa despercebido pelos examinadores. É fato que boa parte dos idosos usam de 4 a 6 medicamentos, todos os dias. Uma boa parte destes idosos que usam medicamentos, tomam alguns que podem atrapalhar sua capacidade de atenção e habilidade para a condução de um carro. Só para citar alguns medicamentos, temos os benzodiazepínicos (bromazepam, diazepam, clonazepam, cloxazolam), os hipnóticos (remédios para dormir: flunitrazepan, zolpidem), os antidepressivos (sertralina, citalopram, paroxetina, mirtazapina) e os antialérgicos (loratadina, prometazina).
Algumas doenças podem atrapalhar o idoso a dirigir com segurança, podendo colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas. Uma destas doenças é a doença de Alzheimer. Aparentemente o idoso não apresenta nenhuma desvantagem do ponto de vista físico, com boa saúde, porém já mostra sinais de confusão mental, de desorientação espacial (se perde no trânsito) e de redução dos reflexos para as mais variadas situações inesperadas. Outras doenças que podem prejudicar o motorista idoso são as doenças visuais (glaucoma e doenças da retina), as doenças auditivas, as sequelas de AVC, as artrites mais severas, os idosos que têm risco elevado para infarto do miocárdio e os portadores de apnéia do sono.
Cabem ao examinador perito de trânsito e ao geriatra uma sensibilidade maior de mostrar, com todo o cuidado, ao motorista idoso a sua falta de condições de dirigir um carro com segurança. Deverão também saber que facilmente haverá resistência por parte do motorista idoso, pois é comum achar que as dificuldades maiores estão sempre com os outros motoristas. Eles não… Eles dirigem muito bem! Isto é muito comum com o motorista que está começando a apresentar os primeiros sinais da doença de Alzheimer. Não tem noção da própria doença e não vêem dificuldade em dirigir.
Ações preventivas como não renovar sua carteira de habilitação, esconder as chaves do carro e retirar certas peças do carro que atrapalham a partida do motor podem ser úteis para não deixar que o motorista idoso, sem condições de dirigir, possa pegar no volante de seu carro. Segurança no trânsito é fundamental!